Archive for the ‘gov 2.0’ Category

Votos reais, partido virtual

16/08/2010

Como a internet e as novas tecnologias estão configurando a articulação de iniciativas democráticas? Uma pista foi dada aqui, num recente post da Webcitizen que indagava: Podemos, todos nós, governar? Se dirigirmos a pergunta para os idealizadores do Senator Online (SOL), a resposta certamente será “sim”.

O SOL é um partido político virtual criado para representar o desejo da maioria dos cidadãos australianos. Funciona assim: no site do partido, as leis que irão à votação no Congresso são exibidas. As pessoas votam na alternativa que acreditam ser a melhor escolha. De posse do resultado, o representante do partido vota no congresso de acordo com a decisão da maioria.

Os proponentes do partido defendem um sistema de representação que devolva voz aos cidadãos e diminua influências de corporações e lobistas nas decisões políticas do país. A proposta baseia-se em utilizar a internet como meio de aproximação entre cidadãos e política, reunindo informações sobre leis, políticos e atividades do congresso, que poderão estimular discussões e trocas entre os cidadãos. O partido explica que não apresenta nenhuma agenda política ou plataforma e que a intenção é mesmo disponibilizar informação imparcial sobre os projetos apresentados no Congresso, inclusive explicar as proposições de cada um com listagem de argumentos contra e a favor.


O site se encontra ainda em fase de pré-eleições, o que significa que o candidato do partido (já anunciado) ainda precisa entrar em campanha e ser oficialmente eleito para que o ideal do projeto seja posto em prática. Todas as propostas são abertas ao debate, do layout do site à dinâmica de como acontecerão os votos, a idéia é construir tudo colaborativamente.

A proposta do SOL levanta algumas questões sobre como as articulações democráticas se configurarão num futuro bem próximo. O trabalho dos políticos poderá se resumir apenas a uma função operacional de acordo com a vontade da maioria? O que impedirá que escolhas motivadas por resoluções de curto prazo, como por exemplo a rejeição de impostos necessários, sejam acatadas? Como grupos de minorias poderão ter sua opinião validada? Quais as novas habilidades os políticos deverão somar à sua atuação no mundo virtual?

Acompanharemos as transformações.



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Ô abre datas!

25/07/2010

O governo americano lançou na semana passada a reformulação de mais uma ferramenta em prol das práticas de transparência e abertura de dados, em consonância com o Transparency Act de 2006.

Trata-se do IT Dashboard, site e aplicativo para smarthphones que permitem qualquer cidadão monitorar em detalhes os gastos do governo em tecnologia da informação. A intenção de expôr os dados é tornar transparente a prestação de contas e permitir que as pessoas vejam gastos como investimentos, utilizando a tecnologia para facilitar acesso e compreensão de como o processo funciona.

O redesenho do site prima por design simples e ferramentas de data visualization que permitem acessar informações complexas de modo objetivo, interativo e de fácil entendimento. É possível acompanhar dados de cada departamento do geverno e programas específicos onde o dinheiro é investido. Os dados ficam disponíveis para cidadãos, governantes e investidores, que poderão avaliar a eficácia dos programas de tecnologia da informação, apoiar investimentos, fiscalizar recursos e identificar problemas. Visualmente o conteúdo se torna mais atrativo, contornando a resistência que muitas pessoas possam ter em contato com informações tão burocráticas.

Mais que uma questão estratégica que atende a demanda por transparência, a abertura de informações fortalece o conhecimento dos cidadãos sobre o governo e cria embasamento para que a administração do dinheiro possa ser questionada, estimulando engajamento e participação plena.

Aplicativos para cidadania

28/09/2009

Apps São Francisco

Um pouco atrasado, porém acreditando que sempre é hora para discutir um assunto que promete ser a ordem do dia. Os governos têm voltado atenção para criar plataformas de interação na internet, possibilitando cidadãos participarem do processo de construção e utilização de ferramentas aplicadas no exercício da webcracia.

As iniciativas saltam aos olhos por meio de experiências vindas de todas as partes do mundo – algumas apresentadas no Gov 2.0 Summit, que aconteceu em Washington D.C, entre os dias 8 e 10 de setembro deste ano.

Um dos governos que mais tem apostado e levado o projeto Gov 2.0 à frente é a prefeitura de São Francisco, que disponibiliza no site DataSF aplicativos com o intuito de facilitar o acesso ao exercício de cidadania online e estimular a criação de novos dispositivos.

Entre os já disponíveis, há o EcoFinder, que ajuda a descobrir o serviço de reciclagem mais próximo e o Mom Maps, que encontra locais para crianças na cidade, entre outros. A grande maiora integrando Google Maps, Twitter, Facebook e permitindo o compartilhamento das informações.

Mais sobre o assunto no blog da Webcitizen, que acompanhou a conferência Gov 2.0 Summit e trouxe algumas reflexões de lá.